O termo “minoria” designa um grupo de pessoas que diferem pela raça, pela religião, pela língua ou pela nacionalidade do grupo mais numeroso no meio do qual vive. Duas precisões devem ser feitas. Em primeiro lugar, um grupo só constitui uma minoria se tomar consciência de si próprio enquanto grupo diferente dos outros e, na maioria das vezes, socialmente inferiorizado, sobretudo se é assim visto pelos outros. Os ruivos são menos numerosos que os morenos nas nossas sociedades, mas não formam uma minoria, na medida em que, não tendo a cor dos cabelos significação social, eles não têm consciência de constituir um grupo particular. Por outro lado, o termo “minoria” tem sempre uma dimensão social e política: na maioria das vezes, a minoria constitui um grupo ao mesmo tempo menos numeroso, menos considerado e menos poderoso; mas não é necessariamente esse o caso. Os Negros, maioritários pelo seu número na África do Sul, constituem no entanto uma minoria na ordem social e política instalada naquela república.
As relações entre maioria e minorias são habitualmente conflituosas, mas nunca se fixam uma vez por todas (Blalock 1967). Entre a maioria e a ou as minorias existem conflitos, mas também acordos e formas de aculturação (Barth 1969). As populações judaicas, sempre minoritárias, conheceram formas de aculturação diferentes nas nações ocidentais e nos países muçulmanos.
A situação de uma ou das minorias varia segundo a natureza dos regimes políticos e sociais, a sua possibilidade ou a sua vontade de reconhecer, de maneira formal ou informal, a existência das minorias. No seu princípio, o Estado-nação, elaborado na Europa na época dos nacionalismos, não admite a existência das minorias nacionais ou culturais e ignora as minorias religiosas. Os negociadores do Tratado de Versalhes esforçaram-se depois da Primeira Guerra Mundial – sem de resto o conseguirem – por reconstruir a Europa com base no princípio das nacionalidades e por suprimir as minorias no interior das nações europeias. Em contrapartida, a Suíça ou o Líbano foram fundados por um acordo político entre grupos religiosos e nacionais quantitativamente desiguais, que reconhecia a existência e os direitos de todos esses grupos. O número das minorias modifica também o sentido da relação maioria-minoria. Nos Estados Unidos, quando os ítalo-americanos, os polaco-americanos ou os judeus americanos se tornaram mais numerosos que os wasp, deixaram de constituir minorias para se tornarem componentes de uma nação fundada num consenso político de grupos culturais diferentes (Glazer, Moynihan 1964; Greenley 1974). No sistema democrático, fundado no princípio do respeito das minorias políticas, as minorias religiosas e culturais podem ter um poder de bloqueio. Assim, os muçulmanos minoritários da União Indiana souberam utilizar os meios do funcionamento democrático para impedir o voto de leis laicas contrárias às tradições corânicas (Krishna 1986).
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