A migração designa o deslocamento de populações de uma região para outra, particularmente das regiões rurais para as zonas urbanizadas, mas também de uma sociedade para outra. Em ambos os casos, não são os mais miseráveis que se deslocam, mas os que são mais susceptíveis de tomar consciência do desnível entre as suas aspirações e a possibilidade de concretizá-las no local onde se encontram.
O primeiro efeito da migração é o de obrigar os migrantes a elaborar uma série de novas funções. É mais marcado no caso das migrações internacionais (Borrie 1956).
Para descrever as consequências destas migrações, vários sistemas conceptuais foram utilizados. Mas, em todos os casos, importa distinguir entre o que alguns chamam a assimilação cultural (qualificada por outros de aculturação*), que designa a adopção pelos migrantes dos modelos culturais da sociedade de instalação, e a assimilação estrutural (muitas vezes qualificada de integração), que designa a participação nos vários grupos primários. M. Gordon (1964) pôde assim verificar que nos Estados Unidos da América os migrantes conhecem uma assimilação cultural rápida, mas uma fraca aculturação estrutural. Populações que adoptaram os valores e as condutas conformes com os modelos nacionais nem por isso participam igualmente na vida social fora do seu grupo de origem. Em contrapartida, uma vez realizada a assimilação estrutural, ela traz consigo o fim dos casamentos endogâmicos e de todas as formas de especificidade.
O processo de assimilação ganha formas diferentes nos países de imigração, como os Estados Unidos ou Israel, formados pelas migrações, e nos Estados-nações de tipo europeu (Schnapper 1974). No primeiro caso, formam-se grupos étnicos que mantêm durante mais tempo os modelos culturais de origem e constituem um meio que favorece uma aculturação mais lenta e progressiva. No segundo caso, os migrantes, obrigados a adaptar-se mais rapidamente às normas impostas pela sociedade de instalação, são menos susceptíveis de formar grupos sociais específicos. Pôde também verificar-se nos Estados Unidos um fenómeno de retorno às identidades nacionais, segundo a teoria dita das três gerações (Herberg 1955). Os filhos dos migrantes nascidos nos Estados Unidos (a “segunda geração”), ainda mal seguros da sua identidade nacional, esforçam-se por se integrar plenamente na sociedade americana, rejeitando a identidade irlandesa ou italiana do seu pai; em contrapartida, os netos (“a terceira geração”), que já não têm quaisquer dúvidas sobre a sua pertença social, recuperam a identidade nacional de origem graças à qual obtêm um estatuto e um lugar dentro da sociedade americana. A teoria das três gerações explica a situação dos Estados Unidos da América, onde se combinam identidades históricas particulares (italiana, grega, polaca, judaica, etc.) com uma participação cultural e política nacional; mas traduz mal os processos de aculturação no interior dos Estados Unidos.
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