Genética  (fr. génétique; ing. genetics). Disciplina que estuda a variabilidade individual e a sua transmissão hereditária. A genética formal estuda o modo de transmissão dos traços e a localização dos genes implicados na transmissão desses traços. Ela pode utilizar um procedimento descendente (a partir do traço, descobrir o ou os genes responsáveis) ou um ascendente (a partir de um gene identificado nas propriedades físicas, procurar a sua função). A genética quantitativa decompõe a variação – é observada nos seus componentes genéticos (aditiva, devida a uma dominância e uma interacção entre genes), do meio ambiente (materno ou de tipos diversos) e do que resulta da interacção entre o genótipo e o meio. A genética das populações analisa a estrutura genética de uma população e a sua evolução em função dos constrangimentos evolutivos.

A genética comportamental é a parte da genética que põe em relação as diferenças fenotípicas de ordem comportamental e as diferenças observadas a nível do genótipo. Na espécie humana, em que o grau de proximidade genética (probabilidade de ter genes comuns por transmissão) aumenta com o grau de proximidade ambiental, os métodos tentam minimizar o meio comum (estudo de adopções) ou maximizar a proximidade genética (método dos gémeos). Os traços ou capacidades, tais como a inteligência, os traços de personalidade e as perturbações da conduta foram objecto de um grande número de pesquisas. Na quase totalidade dos casos, os resultados deixam pressupor uma intervenção de factores genéticos. Os fenótipos que se distribuem de forma descontínua (ex.: as doenças mentais) prestam-se a estudos de ligações que têm por fim dar conta dos modos de transmissão de um carácter hereditário, comparando a frequência do aparecimento do carácter numa genealogia de frequências esperadas, que o modelo postulado permite predizer. A melhor estratégia consiste em estudar quer famílias em cujo seio o carácter estudado aparece com muita frequência (famílias informativas) quer grupos sociais cuja taxa de consanguinidade é elevada (isolados). A localização cromossómica de um carácter foi tornada possível pela detecção de uma associação, ao longo de várias gerações, entre o traço estudado e os genes «marcadores» previamente identificados pelas suas correlações bioquímicas. A análise das variações fenotípicas observadas entre os diferentes grupos pressupõe a possibilidade de manipular os factores dos quais resultam, quer dizer, o genótipo e o meio (físico, biológico ou social). Os sujeitos que pertencem a um mesmo grupo devem ser homogéneos geneticamente, o que é impossível na nossa espécie. É então necessário renunciar a saber se as
diferenças entre grupos étnicos ou sociais têm uma componente genética. Nalgumas espécies, tais como o rato ou a mosca, o património genético é bem conhecido. No rato doméstico podem constituir-se grupos de sujeitos que possuem o mesmo património genético com mutações espontâneas aproximadas: são as linhas consanguíneas. Se as condições de criação foram mantidas constantes, quando aparecem variações fenotípicas entre indivíduos que pertencem a linhas diferentes, é legítimo interrogarmo-nos sobre a existência de um efeito do genótipo. No entanto, os sujeitos que pertencem a linhas diferentes diferem também pelos meios maternos pré e pós-natal em que se desenvolveram. A realização de planos experimentais adequados permite dissociar os efeitos do património genético dos do meio materno pré e pós-natal. Duas componentes do meio materno pré-natal são susceptíveis de provocar uma variação comportamental: o meio citoplásmico e o meio uterino.

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Posted in: Psicologia.
Last Modified: Abril 10, 2014

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